I AM EVIL - UOL Blog
Lendo: Mere Anarchy, de Woody Allen
Acabei: Donde van a morir los elefantes, de José Donoso

NoJornal

File Under: Povo Sem Noção

Eu não sei se tem gente que faz qualquer coisa para aparecer no jornal ou é a aparentemente interminável falta de noção que assola a humanidade. O que eu sei é que tem gente lá nos Peru querendo oferecer pro Obama o cachorro careca e sem dentes mais feio que o mapa do inferno de cabeça pra baixo, que os reis incas aparentemente gostavam. Os reis incas também gostavam de tirar o coração vivo do peito das pessoas, então não sei se estamos falando da monarquia mais imitável do planeta.

Dá uma olhada na reportagem. Particularmente nas fotos. E diz que eu não tenho razão.

Como Sempre

Sabe quando o povo me critica pela minha falta de fé na humanidade? Pois é...

(Outros corolários nesta notícia em particular, mas manter-me-ei fiel à tradição de não falar de política e correlatos)

Ranzinzices

      Falando em jornal, outra notícia, uma escritora mexicana ganhou um prêmio literário qualquer e pediu que mais mulheres fossem premiadas.

      Eu achava que prêmio devia ser dado aos melhores escritores. Mas isso deve ser meu comprometimento burguês com a igualdade falando, claro. Tendo em vista que a mulher é simpatizante do perdedor chorão lá do México, acho que fica tudo explicado: para essa gente ganhar não deve ter nada que ver com mais voto ou ser o melhor é só pertencer ao partido certo ou ao grupo politicamente correto certo.

      Tá, eu estou ranzinza hoje. Eu queria poder parar de ler jornal.

Erva

     Ando meio saudosista da época em que ainda acreditava em alguma coisa e me vi pensando nos tempos da infância, quando computador de 48 kb de memória era o máximo da tecnologia. E me lembrei de um programa que calculava biorritmo. Vocês lembram do biorritmo, o Feng Shui dos anos 80? Engraçado como o povo adora acreditar em bobagem. Como eu adoro apontar a superstição alheia, adorei esse artigo sobre os riscos de saúde das plantas medicinais. Seria ótimo se não fosse o FEBEAPA que corre nos comentários. Triste ver como tem gente militantemente estúpida no mundo.

Ingmar Bergman (July 14, 1918 – July 30, 2007)

 

      For better or for worse, I wouldn’t be who I am now if I hadn’t spent many hours in my formative years watching every movie you made. Thank you and rest in peace.

      First Kurt Vonnegut and now Bergman. This is the year of dying idols.

Desesperanças

      Ainda no capítulo desesperanças, mas desta vez sobre a humanidade como um todo. Exorcista (aparentemente esse tipo de charlatanismo ainda existe) afirma que “Harry Potter induz ao satanismo”. Nada de extraordinário, vindo de alguém que, pela profissão, só pode ser um imbecil ou um picareta. Ou ambos. Exceto que a frase foi dito durante o Terceiro Congresso Nacional de Exorcistas do México. TERCEIRO CONGRESSO NACIONAL DE EXORCISTAS! Dá para acreditar?

Triste

      Esta não é uma semana boa para ser brasileiro (vocês podem ver que eu estou me lixando para o Pan e para a Copa América). O acidente em Congonhas ou é culpa do Governo ou irresponsabilidade da companhia aérea: nenhuma das duas opções é particularmente alvisareira.

Para piorar, deparei-me na Folha com uma nota sobre um blog de uma atleta norte-americana do Pan falando do Rio. Trata-se de um texto de uma norte-americana bobinha, que viu o Rio pela Linha Vermelha desde o aeroporto e faz generalizações muito erradas. O problema é que eu estou para achar uma única pessoa que não faça a mesma coisa no exterior. Você está uns dias em uma cidade estranha e já escreve teses sociológicas sobre tudo e todos.

O post mereceria uma resposta ponderada. Mas vocês sabem que ponderação no Brasil sempre foi artigo em falta. A quantidade de patriotadas, insultos gratuitos e histeria analfabeta que povoou a caixa de comentários da atleta é de dar vontade de chorar. Mais do que o acidente da TAM, mais do que os escândalos de corrupção, mais do que qualquer coisa, é aquela caixa de comentários que me faz descrer do Brasil. Essas pessoas têm acesso a internet, lêem jornal e deveriam ser o exemplo do melhor que produzimos. A patriotada e a histeria eram esperadas e provavelmente ocorreriam em qualquer lugar do mundo. Mas a desarticulação, ignorância e falta de respeito elementar é entristecedora e projeta uma sombra sobre qualquer esperança de futuro no país que qualquer um de nós ainda possa, leviana ou teimosamente, manter.

Karokê

Pois é. Algumas vezes até a mais paranóica e cruel ditadura socialista toma medidas apropriadas.

Elites e Povo

 

      Então numa dessas conversas inúteis sobre caracteres nacionais, eu teci comentários ligeiramente desairosos sobre o povo venezuelano, tendo recebido a clássica réplica esquerdista de que defeito x e y eram típicos da elite e não do povo.

      O Brasil marcou mais um gol e a conversa terminou por aí. Mas eu sempre me admiro com a prevalência de certos conceitos, aceitos de forma acrítica por todos. A idéia de que os países têm uma elite de características e personalidade fundamentalmente distinta do povo não tem muita base na realidade. Somente naqueles poucos países em que a classe dirigente é completamente isolada do resto da população, cultural e socialmente, é possível ter uma elite que seja diferente do povo, da mesma forma que uma colônia de estrangeiros só mantém grandes diferenças na medida em que permanece isolada. Nos dias de hoje, em que a formação cultural e social é, em grande parte, determinada por meios de comunicação em massa, o isolamento de uma elite é praticamente impossível.

      Na base desse discurso, existe, como não poderia deixar de ser, uma propaganda política. Se os problemas de um país são causados por uma elite, um grupo político que consiga fazer acreditar ser representante do “povo” pode abarcar todo o poder e negar à oposição legitimidade para atuar. Entretanto, com o tempo, tende a se comportar exatamente como a elite anterior no poder. A razão é que a elite é igualzinho ao povo, só que com poder e dinheiro. A mudança dos grupos, sem alterar a forma de pensar e agir, equivale a mudar os atores de uma peça e manter o roteiro.

      Acreditar que o povo no poder mudaria fundamentalmente a forma de conduzir o país é uma das utopias pós-modernas mais estúpidas, até porque negadas repetidamente pela História recente. Mas a esperança na solução simples é sempre demasiado sedutora para ser ignorada. E depois reclamamos da traição dos novos ocupantes do poder. Para que o ciclo continue.

Biblia

Biblia poderia ser considerada um livro indecente.

Meu coração iconoclasta e anticlerical adorou.

Tragédia

      Normalmente eu não presto atenção nos massacres em escolas nos EUA. Já virou até lugar-comum um louco pegar uma arma e matar um bando de gente. As mesmas discussões sobre porte de armas que amanhã são esquecidas. E morre mais gente no Iraque quase todo dia.

      Mas eu fiquei chocado com a estória do Professor que morreu salvando a vida de alguns alunos. Sobrevivente do Holocausto e do regime romeno de Ceausescu. Morto por um imbecil desequilibrado. Toda a tragédia da espécie humana está contida nesse episódio.

Aí já é sacanagem

Aquecimento global pode afetar a qualidade do vinho.

Pô, a única bebida alcoolica que eu consumo. Como é que vou aturar festa chata de trabalho?

Óóóóóóóóótimo!

Eu disse que não ia mais falar de política por aqui, mas...

Achei ótima a sentença do TSE sobre a fidelidade partidária. Só espero que dure.

Anencefalia

      Então um bando de descerebrados (pun intended) estão mantendo um criança anencéfala viva, sem nenhuma consideração pelo sofrimento causado, para pressionar o Congresso a não aprovar a descriminalização do aborto.

      Um ser humano que não tem como viver sem adoção de recursos extraordinários da medicina vira ícone de um bando de imbecis, que repetem frases de absoluta estupidez como “não é como a ciência quer, é como Deus quer”.

      Vão para aquele lugar. Eu não acredito em Deus e fico absolutamente emputecido quando essas pessoas tentam empurrar esses argumentos pela minha goela abaixo. Eles estão torturando uma criança, postergando sua existência para obter um ganho político. Trata-se da utilização mais desavergonhada de uma ser humano que eu posso imaginar. Mas é típico de fanáticos religiosos. Dependesse deles, eu estaria sendo torturado para aceitar a glória de Deus ou coisa que o valha. É uma pena que não exista um inferno para que essas pessoas sejam torturadas por toda a eternidade.

III

      Mencionando meu recém-criado III (Índice de Indigência Intelectual), alguém me explica o que o povo da Paz Verde quer da vida? Não pode petróleo que dá efeito estufa, agora também não pode etanol que dá desmatamento? Sobrou a energia nuclear, mas essa também não pode, porque é anátema e povo rejeita como reflexo condicionado sem nem pensar no assunto. Imagino que a solução dos caras seja obrigar que todos vivamos na Amazônia feito índio. Eu sempre desconfiei que esse povo radical do movimento ecológico tinha os dois pés firmemente plantados nos melhores momentos do maoísmo: reeducação no meio do mato.

Informe

O Índice de Indigência Intelectual na América Latina, que sempre foi um dos maiores do mundo, atingiu ontem uma de suas altas históricas.

Mural De Coisas Que Eu Queria Ter Escrito

No stereotypes please - we're Brazilian

By Steve Kingstone
BBC News, Brazil

What comes to mind when I say Brazil? Dazzling football skills? Carnival celebrations? Or more negative images of urban poverty and gun violence? Either way, Brazilians care deeply about what the rest of us think.

O resto aqui:

http://news.bbc.co.uk/2/hi/programmes/from_our_own_correspondent/6383919.stm

Coisas

      Apavora-me ver como as pessoas insistem em resistir a ensinamentos básicos da História. Depois de Auschwitz e do nazismo, é inadmissível a qualquer um ignorar o potencial para a crueldade que existe em cada um de nós. E, exatamente por isso, é inaceitável perdoar os que sucumbem à fera.

Some people need to develop tougher skins

     Comerciais do Super Bowl são criticados por "falta de sensibilidade". Ou onde se prova, uma vez mais, que até o controle remoto é complexo demais para algumas mentes limitadas.

Idiomas em Extinção

      Sabe aquela pilha gigantesca das coisas que eu simplesmente não entendo? Pois é, continua crescendo...

      O mais novo elemento da lista é a preocupação de algumas pessoas com as línguas “em extinção”. Recentemente, vi um antropólogo falando sobre a “grande perda para a humanidade” representada pelo risco de extinção de línguas amazônicas faladas por não mais de dezenas de pessoas.

      Hoje em dia, povo fala qualquer merda e a galera engole.

      Perda para quem? A extinção de uma espécie traz um prejuízo claro para o equilíbrio ecológico e representa um risco potencial para a humanidade. Mas uma língua? Língua é, antes de mais nada, uma barreira. Quanto mais línguas, menor potencial de comunicação, maior espaço para desentendimentos, maiores dificuldades para povos remotos se inserirem em um mundo globalizado. Não há nenhuma perda real para a humanidade com a extinção de uma língua.

      Na verdade, trata-se de mais um caso de “nostalgia do passado que nunca houve” que é prevalente hoje. Não há nada mais evidente de pobreza intelectual que o fetiche pelo passado. Tudo que é antigo, tradicional é necessariamente bom de acordo com algumas mentes limitadas. Contanto que seja em alguma tribo no meio do mato e não lá em casa, claro.

Comfortably Numb - Pink Floyd

"Lies, Damned Lies and Statistics". Estou aqui lendo uma pesquisa de opinião realizada em países latino-americanos. Os entrevistados citaram os dois maiores problemas dos seus respectivos países. Em oito dos dezoito países, a delinqüência foi considerada um dos dois maiores problemas. Nenhum deles é o Brasil.

Eu não sei se não dá para confiar nesse tipo de estatística ou se já passamos a considerar o inaceitável como normal até no que diz respeito à violência.

Pequenos ódios

      Imagine que você trabalha num Parlamento desses países da Europa. Imagine que você tem uma infestação de ratos no seu lugar de trabalho. Agora, imagine que um partido de loucos resolve proibir o veneno de ratos em seus escritórios. Como diria aquela propaganda, com o Partido Holandês para Animais não é tão difícil de imaginar.

      Depois o povo pergunta porque uma das poucas coisas do Universo que ainda me tira do sério é a estupidez abissal desse povo dos direitos dos animais.

Sobre o YouTube e o Poder Judiciário

      O que mais me irrita no Judiciário brasileiro não é que um juiz faça uma barbaridade como banir o YouTube no Brasil. Afinal, idiotas existem em todo lugar. O que me tira do sério é saber que esse energúmeno não vai sofrer qualquer tipo de punição administrativa por adotar uma medida arbitrária, exagerada e, francamente, de uma estupidez crassa.

Desencanto

      Ao sair para o trabalho hoje de manhã, me deparei com a fila de pessoas na frente da Escola Militar que foram prestar seus respeitos ao General.

      Eu sou cínico demais para me incomodar com essas pessoas. Aliás, a única coisa que me incomodou ontem foram os opositores estourando champagne na rua. A little bit too much.

      Mas na América do Sul somos especialistas em rotos falando mal dos esfarrapados. Todos adoramos os “nossos” ditadores e execramos os ditadores “deles”. Nossa política parece sempre ser a rotina disfarçada de constante Armagedom, até que um idiota propõe fazer tudo de novo, em um processo em que só o pouco que funcionava vai para o lixo. Eu vejo nas ruas daqui os farrapos de duas faixas antigas com os dizeres “Sob Nova Direção”, sabendo que uma nova geração prepara mais faixas e mais picaretas para tentar construir tudo de novo. E entre ruínas e faixas permanecemos.

In the News

      Ding Dong! The witch is dead.

      Agora só falta a de Havana. 

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