Portugal 2009
Foi idéia da Carol a viagem para Lisboa. Eu estava planejando uns dias na Normandia. Na minha lista de países prioritários para viagens perto daqui, Portugal estava em qualquer lugar depois do vigésimo (após a Romênia, eu acho).
Mas depois que eu parei para pensar no assunto, lembrei-me de um excelente motivo para viajar para Portugal:

Não gostei tanto de Lisboa, muito suja e cheia de pichações. A maior parte do tempo parecia que eu estava andando pelo centro do Rio ou por alguma cidade do Nordeste. Nada de errado com isso, o centro do Rio é um dos meus lugares prediletos na face da Terra. Mas metade do meu prazer de viajar é encontrar o exótico. Até a língua é quase igual à nossa!

Ainda assim, Sintra é muito bonita e vale viajar de trem para passar o dia por lá. Recomendo pegar o ônibus que leva ao Palácio da Pena e ao Castelo dos Mouros.

Em Lisboa, andar pela cidade é divertido e, para quem vive em Paris, os preços são obscenamente baixos. A Praça do Dom Pedro IV (nosso Pedro I) é bonita. O melhor de Lisboa, porém, é Belém. A Torre de Belém é um espetáculo e ver o Tejo de pertinho é muito legal. E o calorzinho entre quinze e vinte graus foi um presente depois desse inverno interminável de Paris.

Diverti-me imensamente com os nomes engraçados das ruas e restaurantes. Pena que no Brasil alteramos os nomes tradicionais para satisfazer o ego de algum herdeiro de um deputado ou militar irrelevante.

E gastei todas as calorias possíveis subindo e descendo milhares de ladeiras íngremes.

(Essa aí se chama "Escadinhas da Saúde". E é realmente preciso.)
De qualquer forma, se ficou faltando a metade do meu prazer de viajar - encontrar o diferente - a outra metade, comer bem, mereceu nota dez. Em todos os lugares comemos bem, do boteco da esquina vendendo salgadinho ao restaurante com vista para o rio. Bacalhau e porco de todos os jeitos. Lugares apenas suficientemente transadinhos para atrair, mas com comida boa e atendimento simpático de sobra (alguém avisa para os chilenos que é assim que se faz). Menção honrosa particular para o Tulhas, de Sintra, campeão no quesito comida maravilhosa, um dez plus no melhor dia da nossa viagem.
Mas para mim o que interessam são os doces. Como meu objetivo era estabelecer novos recordes mundiais em consumo de guloseimas sem passar mal, creio que a viagem foi um sucesso. A contabilidade acusa seis pastéis de Belém, quatro travesseiros de Sintra, dois pastéis de Santa Clara, duas trouxinhas de ovos, uma tarte de amêndoas, dois pastéis de natas, e mais uns dois doces de ovos que eu esqueci o nome. Ah, e um sonho. Em cinco dias. Tudo bom, tudo maravilhoso, quase tudo feito com ovos e açúcar.
Mais fotos e em melhor resolução já estão no Picasa agora que a francesada resolveu trabalhar e recolocar a internet em casa.
E agora é voltar para a realidade fria, escura e sem doces de ovos...