I AM EVIL - UOL Blog
Lendo: Three Soldiers, de John dos Passos
Acabei: Collapse, de Jared Diamond
 
 

Desanuviando

Pensei em colocar o vídeo da minha banda francesa predileta da semana, o Superbus.

Mas o You Tube não deixa mais fazer embed de clip oficial. Alguém me responde quem reclama de propaganda gratuita?

De qualquer forma o link pode. Ouve aí e esquece dos cardeais da vida.

 
 

Diga-me com quem andas

            Vocês vão me desculpar o momento revolta.

            Mas leio hoje que a igreja católica (com minúscula mesmo) excomungou os médicos que realizaram aborto em uma menina de nove anos, violentada pelo padastro desde os seis.

            Aparentemente, a excomunhão restringiu-se aos médicos. O padastro continua livre para assistir missa e ser perdoado do pecado de ter violentado uma menina.

            Imagino que seja solidariedade. Os sacerdotes da igreja católica são conhecidos por certa tendência a abusar sexualmente de criancinhas.

April in Paris - Dinah Shore

         As pessoas sempre costumam se admirar com o mau-humor generalizado dos parisienses. Afinal, os caras vivem em uma das mais belas cidades do mundo, gozam de um dos sistemas de benefícios estatais mais generosos do mundo e ainda assim parecem estar sempre reclamando da vida.

         No início eu pensei que fosse a velha natureza humana: nada é suficiente. Mas, na verdade, com o tempo, notei que a vida do parisiense médio não é nada fácil.

         A burocracia do Estado francês é inacreditável, por exemplo. Hoje eu tive que assinar uma declaração que a minha mulher morava comigo na minha casa. Para obter uma carteira de motorista. Ninguém conseguiu me explicar a relevância para o Departamento de Trânsito de saber se eu tenho um casamento moderno e aberto ou não. E isso depois de terem exigido ver os originais dos documentos dos quais eles haviam pedido cópia. Imagino que para saber se eu tirei cópia direitinho.

         Devido aos custos de mão de obra, qualquer serviço custa uma fortuna. Uma pessoa de classe média tem que fazer sozinha muitas coisas que no Brasil contariam com apoio de outras pessoas. Já contei aqui minhas desventuras com a IKEA. Soube de um francês que mora perto do Parque Monceau. Provavelmente um dos lugares mais charmosos e agradáveis para se morar em Paris. Fiquei até com inveja. Até saber que ele mora em um prédio de seis andares sem escada. A máquina de lavar dele pifou e ele não tem como descer para levar para o conserto. A solução foi descobrir como desmontar a máquina, descer os seis andares e remontar embaixo. Contratar gente para baixar a máquina custaria mais que o conserto.

         O dia a dia não é fácil para o parisiense. O problema é que chegamos aqui com a imagem de que vamos viver em um filme do Gene Kelly. A verdade é que Paris é assim em muitos momentos. Há poucas coisas mais belas do que caminhar de noite à margem do Sena perto do Quartier Latin, vendo a Catedral de Notre Dame e a silhueta dos prédios iluminada. Mas há um lado complicado que explica um pouco o proverbial mau-humor local.

 
 

Mural de Citações Sem Pedigree

Lido no PostSecret:

"When you die, every dog you knew and loved runs to you to say hi"

Sunday Bloody Sunday - U2

         Com tanta coisa para fazer com a mudança, não resistimos e fomos para a balada no sábado, acordamos tarde no domingo e caímos em um daqueles dias from hell.

         Começou, claro, com a operação longamente postergada de montar o armário de quarto da IKEA. Duas horas depois o armário semi-montado quase cai na nossa cabeça, arrebenta uns furos e nos deixa olhando para aquelas centeninhas de euros jazendo no chão. Acho que ainda dá para um CPR, mas demandará a ajuda de profissionais (e de mais euros).

         Polianamente, resolvemos esquecer o armário e arrumar livros, jogar caixas fora e acelerar esse interminável processo de mudança. No fim da tarde, puxei uma caixa cheia de livros do jeito errado e dei um jeito em um músculo das costas. Quinze minutos jazendo no chão, como se eu estivesse numa música do Chico. O resto do dia, de cama, com compressas quentes. O Universo fazendo de tudo para me lembrar que é meu aniversário este mês e que estou passando da fase de estar ficando velho para estar velho mesmo. O Universo é um grande filho da puta.

         O resumo da ópera é que eu deveria ter aproveitado o dia grátis do Louvre.

 
 

Portugal 2009

         Foi idéia da Carol a viagem para Lisboa. Eu estava planejando uns dias na Normandia. Na minha lista de países prioritários para viagens perto daqui, Portugal estava em qualquer lugar depois do vigésimo (após a Romênia, eu acho).

         Mas depois que eu parei para pensar no assunto, lembrei-me de um excelente motivo para viajar para Portugal:

 

         Não gostei tanto de Lisboa, muito suja e cheia de pichações. A maior parte do tempo parecia que eu estava andando pelo centro do Rio ou por alguma cidade do Nordeste. Nada de errado com isso, o centro do Rio é um dos meus lugares prediletos na face da Terra. Mas metade do meu prazer de viajar é encontrar o exótico. Até a língua é quase igual à nossa!

         Ainda assim, Sintra é muito bonita e vale viajar de trem para passar o dia por lá. Recomendo pegar o ônibus que leva ao Palácio da Pena e ao Castelo dos Mouros.

Em Lisboa, andar pela cidade é divertido e, para quem vive em Paris, os preços são obscenamente baixos. A Praça do Dom Pedro IV (nosso Pedro I) é bonita. O melhor de Lisboa, porém, é Belém. A Torre de Belém é um espetáculo e ver o Tejo de pertinho é muito legal. E o calorzinho entre quinze e vinte graus foi um presente depois desse inverno interminável de Paris.

         Diverti-me imensamente com os nomes engraçados das ruas e restaurantes. Pena que no Brasil alteramos os nomes tradicionais para satisfazer o ego de algum herdeiro de um deputado ou militar irrelevante.

         E gastei todas as calorias possíveis subindo e descendo milhares de ladeiras íngremes.

(Essa aí se chama "Escadinhas da Saúde". E é realmente preciso.)

         De qualquer forma, se ficou faltando a metade do meu prazer de viajar - encontrar o diferente - a outra metade, comer bem, mereceu nota dez. Em todos os lugares comemos bem, do boteco da esquina vendendo salgadinho ao restaurante com vista para o rio. Bacalhau e porco de todos os jeitos. Lugares apenas suficientemente transadinhos para atrair, mas com comida boa e atendimento simpático de sobra (alguém avisa para os chilenos que é assim que se faz). Menção honrosa particular para o Tulhas, de Sintra, campeão no quesito comida maravilhosa, um dez plus no melhor dia da nossa viagem.

         Mas para mim o que interessam são os doces. Como meu objetivo era estabelecer novos recordes mundiais em consumo de guloseimas sem passar mal, creio que a viagem foi um sucesso. A contabilidade acusa seis pastéis de Belém, quatro travesseiros de Sintra, dois pastéis de Santa Clara, duas trouxinhas de ovos, uma tarte de amêndoas, dois pastéis de natas, e mais uns dois doces de ovos que eu esqueci o nome. Ah, e um sonho. Em cinco dias. Tudo bom, tudo maravilhoso, quase tudo feito com ovos e açúcar.

         Mais fotos e em melhor resolução já estão no Picasa agora que a francesada resolveu trabalhar e recolocar a internet em casa.

E agora é voltar para a realidade fria, escura e sem doces de ovos...

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Evil, but in a nice way.

My Personal Evil Priest responderá suas angústias e dúvidas nesse endereço: iamevil.blog, que fica lá no gmail. Don't be evil? Ha!

Em Paris:
   My Amazon.com Wish List