Eu sempre achei “Famous Blue Raincot”, do Leonard Cohen, uma das músicas mais bonitas e tristes, com uma das letras mais assombrosas em sua simplicidade, da história da música pop, um hino sobre o envelhecimento e a perda insuperável. E também sempre achei que fosse, como “Stairway to Heaven”, impossível de fazer um cover sem ficar ridículo ou ruim ou ambos.
Mas sou obrigado a aceitar que a versão da Marissa Nadler é boa pra caramba. Provando que Marissa Nadler kicks serious ass.
Fair Weather - Herbie Hancock
Eu sou brasileiro e não me acostumo nunca com algumas coisas. Por exemplo, hoje acordei para um dia de sol e céu azul. Saí de casa com a Frida e, apesar do casaco forte, quase morri de frio. E a temperatura foi baixando ao longo do dia, apesar do Sol! A meteorologia diz que há chances de neve para o fim da tarde. Se nevar mesmo e o suficiente para cobrir o chão, prometo enfrentar o frio e sair para tirar fotinhas.
Time After Time - Chet Baker
Como eu tenho comentado aqui sobre a banalização do extraordinário, recordei-me hoje que uma das coisas que eu achava mais interessantes quando estive na Europa pela primeira vez era ouvir, especialmente no transporte público, muitas e diferentes línguas e ficar tentando adivinhar qual era qual.
No metrô hoje eu me toquei como eu não presto mais atenção nisso, quando achei super natural ficar entre um grupo de turistas japoneses e um grupo de turistas alemães (faltaram só os italianos para completar o Eixo, o que é estranho tendo em vista que a coisa mais comum é ouvir italianos falando no metrô: não sei se porque eles são muitos por aqui, ou se porque eles falam alto pra caramba).
Pensando bem, eu nem sei se os orientais eram japoneses. Deduzi porque eram turistas, mas com meu ouvido para línguas do Extremo Oriente poderiam ser coreanos ou chineses. Os alemães eram alemães, é impossível confundir alemão com qualquer coisa, com exceção de ruídos produzidos por máquinas industriais de alta potência.
So far Away - Dire Straits 2
Falando na fuga de Carol para o Brasil, alguém me responde como alguém sai da França na véspera do dia do lançamento do Beaujolais Nouveau?
Antes que alguém pergunte, já respondo que eu não vou. Eu até saio para comer sozinho, mas sair para beber sozinho já é coisa de alcóolatra. Comprarei uma ou duas garrafas para beber na volta da Carol.
So Far Away - Dire Straits
Carol foi para o Brasil e me largou com a cachorra, aqui nessa casa horrorosa. Mas ela tem que ir, eu não posso, então que fazer?
Mas como é difícil passar o dia sem ter para quem ligar, chegar em uma casa vazia e escura e uma noite muda de quarta-feira. E aqui não tem Sony para distrair...
Meu Guarda-Chuva – DJ Patife
Sempre me surpreende a preocupação das pessoas com essa estória de não repetir roupa. Eu sou incapaz de lembrar que roupa eu usei ontem, quanto mais lembrar que roupa outra pessoa já usou em alguma coisa em que eu estive por perto.
Mas também eu sou quase sempre incapaz de me lembrar de pegar de volta o meu guarda-chuva, então não sei se eu sou parâmetro. Mas para algumas pessoas, é toda uma preocupação, listagem das pessoas que podem estar no lugar, mais um inventário de todas as outras situações em que uma viu a outra, criando uma matriz roupas x eventos, que eu, apesar da minha graduação em Informática, sou absolutamente incapaz de fazer.
After Work – Akmusique
Meu chefe e a mulher dele fazem aniversário um dia depois do outro. Muito romântico. E eu gosto muito do chefe, considero ele um amigo pessoal, é o responsável por eu estar em Paris agora (neste momento não é necessariamente um motivo de grande agradecimento, mas isso é uma outra estória que eu me recuso a aceitar) e coisa e tal. Então, como costumo fazer com amigos, comprei presente para o aniversário dele e levei para o trabalho na segunda-feira.
Foi só no trabalho, com a bolsa de presente na mão que eu me toquei da absoluta imagem de puxa-saquice que eu daria para todos os demais. Tive que camuflar o presente na minha sala e depois entrar clandestinamente na sala dele para entregar o presente. Me senti contrabandeando alguma coisa. Mas no final deu tudo certo, ele gostou do presente e ninguém ficou sabendo. É por isso que a ordem natural das coisas é querer distância do chefe. Mas como a ordem natural das coisas também é eu ser contra a ordem natural das coisas, tudo está certo no universo. Podem dormir tranqüilos,
Allien Inteligence - The Pot Heads (Parte 2)
Com relação ao post abaixo, para que vocês não me acusem de injustiça sobre o espírito francês. Entre no site de um hotel para verificar a disponibilidade em um dado período. Preenchi os campos de data de chegada e partida. Coloquei no campo de observações a data de chegada e partida. Recebo, hoje, um mail me perguntando qual seria o período de minha estadia. Detalhe: o subject do mail era Séjour 19/12 6 nuits. E no texto havia duas referências sobre as datas.
Como vocês podem ver eu não estou de sacanagem. Francês é um bicho muito estranho.
Alien Intelligence – The Pot Heads
Após um fim de semana de mais comida e bebida do que é saudável, recomendável ou mesmo razoável, fomos ao cinema na noite de domingo, para finalmente ver o novo Woody Allen. Chegamos em cima da hora no cinema, mas com apenas duas pessoas para comprar ingresso na nossa frente. Deveria ser um processo rápido. Mas vocês não conhecem, nem foram apresentados à impressionante incapacidade francesa de lidar com qualquer cenário que fuja, mesmo que levemente, do script já previamente existente.
A máquina de imprimir ingresso deu xabu. Três pessoas na fila para ver filmes que começariam em poucos minutos. Pega o papel do ingresso, escreve qualquer coisa e manda um dos dois caras que estavam no caixa junto com os espectadores in waiting para deixá-los entrar nas salas. É um cineminha pequeno, com três salas uma do lado da outra.
A solução francesa foi fazer todo mundo ficar na fila, ligar para os projetistas para não começar o filme (ou seja, quem estava na sala também teve que ficar esperando), enquanto os gênios descobriam como imprimir os ingressos na bendita maquininha. Quase quinze minutos depois, os ingressos saíram e pudemos entrar nas salas.
E não tinha ninguém na entrada das salas para conferir o ingresso...