| Lendo: | Three Soldiers, de John dos Passos |
| Acabei: | Collapse, de Jared Diamond |
Eu me lembrei quando eu era um estudante pobre suburbano que economizava o dinheiro da passagem andando a pé. Eu me lembrei porque, até hoje, eu jamais tinha andado tanto na vida. E de sapato e terno desta vez. Como sabem todos os filósofos, a velhice é uma merda e a geriatria é, paradoxalmente, uma ciência em sua infância. Minhas costas doem. Eu preciso de sapatos melhores. Ou perder a noção do ridículo e alugar um desses Segways para turistas.
Mas a verdade é que, a cada esquina, a paisagem é sempre linda. Na caminhada entre trabalho e casa, vejo a Torre Eiffel, o Dome onde o grande Napoleão dorme seu sono eterno, o Boulevard dos Invalides e um sem-número de pequenas ruas e esquinas anônimas de arquitetura preciosa. Mas ainda assim, as costas, essas filistéias, doem.
Os interessados no quarto de hóspedes do Residencial podem continuar a invocar o santo/orixá/deusa/mandinga de sua predileção, pois há poucas novidades na busca pelo teto definitivo. Aprendemos já alguma coisa sobre os quartiers e onde procurar, evitando perder tempo com apartamentos cujo conceito de suíte é uma espécie de armário com ducha e sem ralo, só um buraco “a guisa de ralo” que tinha de estar sempre fechado por conta do cheiro ruim, em um prédio com um peculiar odor de laticínio podre (true story). Mas a casinha nossa continua elusiva.
Bem, o trabalho continua me desafiando e a busca pelo apartamento parisiense ideal é tão difícil quanto achar o Santo Graal. Até porque os dois, aparentemente, não existem.
Mas achar o apartamento ideal em Paris tem suas semelhanças com o paraíso. Você chega na porta e pode ser rechaçado pelo São Pedro de volta ao purgatório das corretoras. Já aconteceu conosco duas vezes. Agora temos mais dois apartamentos aos quais nos candidatamos. Eu gosto mais de um, um pouco menor, mas com externalidades positivas interessantes. A Carol prefere o outro, maior e em uma área mais divertida, porém longe do trabalho. Decidimos não discutir o assunto para ver qual dos dois proprietários nos aceitará. Acho que assim garantiremos, pela Lei de Murphy, que os dois nos aceitarão. Não é possível ter certeza pois Murphy escreve errado com uma caneta estourada em linhas apagadas.
Mudaremos amanhã, de qualquer forma, do apartamento provisório atual, carinhosamente apelidado pela Carol de “muquifo”, “cortiço” ou “aquele lugar horroroso e sujo cujo proprietário eu gostaria de ver balançando do alto da Torre Eiffel”. Chegamos em nosso limite e dificilmente conseguiremos mudar no fim do mês como planejado: os apartamentos estão em reforma e a mudança atrasou e só chega no fim de agosto.
É isso. Os preços continuam nas alturas, a cidade continua bonita e nós continuamos sem teto.
Não conseguimos alugar o apartamento que mais havíamos gostado até agora e que ficava na Avenida Emilie Deschanel, para fazer a alegria das nossas visitas fãs de Bones.
Now back to the drawing board...
Evil, but in a nice way.
My Personal Evil Priest responderá suas angústias e dúvidas nesse endereço: iamevil.blog, que fica lá no gmail. Don't be evil? Ha!
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