I AM EVIL - UOL Blog
Lendo: Three Soldiers, de John dos Passos
Acabei: Collapse, de Jared Diamond
Música Urbana - Capital Inicial

      Almocei ontem com um conhecido que está para se mudar para Brasília. Consegui passar quase duas horas sem falar (muito) mal de Brasília e, ainda mais surpreendente, tecendo comentários positivos sobre a urbe do futuro do pretérito brasileiro.

      Estou orgulhoso de mim mesmo. Estou ficando bom nesse negócio de mentir.

Heart of the House - Alanis Morissette

      Frida está em cio. Chego ontem em casa para flagrar a Carol “pimping” a pobre pelo telefone, negociando a virgindade da cachorra com um macho campeão em torneio. Cachorra chique essa Frida.

      Se tudo der certo e a Frida não atacar o cachorro (ela já fez isso antes), teremos cachorrinhos no verão e muitas fotinhas fofas para o deleite da audiência.

Música da Semana da Rádio I Am Evil

"Trip On Love" - Abra Moore.
Música bunitinha para deixar a alma mais leve neste dezembro.

One Lazy Morning - Brett Anderson

Não há manhã que passe mais devagar do que aquela do primeiro dia de trabalho após as férias...

Confesso que vivi (no Chile) - Segunda Parte

O POVO

 

            Esse é o mais difícil. Depois de dois anos e já com a cabeça pensando em partir, você começa a usar o termo nacional como xingamento. “Chileno”, com tom exasperado pode se transformar, muito rapidamente, em lugar-comum na conversação diária. Normal. Mas tentarei ser imparcial.

            A verdade é que o chileno pode ser um animal estranho. Eles se acham europeus, apesar da evidente influência mestiça. Fala-se muito em preconceito contra os índios e os peruanos, mas, para mim, o pior e mais pervasivo preconceito existente aqui é o de classe. A concentração de renda é terrível (só o Brasil perde na América Latina inteira). As pessoas te perguntam teu sobrenome e onde você vive antes de qualquer coisa, inclusive em eventos sociais ou superficiais ao extremo, para poder saber em que classe te colocar. A comuna x indica seu nível econômico e seu sobrenome pode complementar a informação com a pertinência a uma das famílias tradicionais.

            Os santiaguinos são consumidores compulsivos com uma taxa de endividamento impressionante. Também se comportam no trânsito como animais, não têm qualquer sentido de educação e cortesia. São conhecidos por acelerar para impedir outro carro de mudar de pista – mesmo quando não tem absolutamente nada a ganhar com o movimento.

            Uma amiga chilena uma vez comentou que para entender o Chile é necessário entender que o país é uma selva. Cada um por si. Tudo isso afetou as regras de convivência social: o melhor exemplo são as vagas para deficientes e grávidas, sempre ocupadas por outras pessoas. Os serviços são péssimos, o atendimento sempre complicado. Se o vendedor não te lê como alguém com muito dinheiro, ele vai te atender mal ou mesmo não te atender. Conheço brasileiros que já receberam a resposta “isso é muito caro” ao perguntarem o preço de um produto em uma loja (vide parágrafo acima sobre preconceito de classe).

            Embora a imagem que eu esteja dando dos chilenos aqui não seja das melhores, faço algumas precisões. Primeiro que os chilenos são, muitas vezes, como gafanhotos ou crianças: individualmente podem ser ótimos, em conjunto, porém, destrutivos. Ademais, muito do que eu descrevo aqui vale para o típico chileno do “barrio alto” e que o país está passando por uma transformação social importante. E que meus poucos contatos com o Chile além de Santiago me fazem crer que fora daqui o povo é melhor.

            Também é preciso ressaltar algumas qualidades do povo. Muitas coisas funcionam melhor aqui porque os chilenos são disciplinados e organizados. Precisam de uma figura de autoridade por perto, mas é melhor que no Brasil quando a figura de autoridade muitas vezes só piora a situação.

            Não me interpretam erroneamente e cheguem a conclusão de que os chilenos são todos uns insuportáveis. Eu tive a sorte de conhecer excelentes pessoas, de grande caráter e inteligência. Mas o comportamento coletivo pode tornar muito difícil o dia a dia e estragar a experiência individual. E se eu fui muito duro, atribuam o texto à crise de relacionamento de dois anos com Santiago. J

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Evil, but in a nice way.

My Personal Evil Priest responderá suas angústias e dúvidas nesse endereço: iamevil.blog, que fica lá no gmail. Don't be evil? Ha!

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