Triste
Esta não é uma semana boa para ser brasileiro (vocês podem ver que eu estou me lixando para o Pan e para a Copa América). O acidente em Congonhas ou é culpa do Governo ou irresponsabilidade da companhia aérea: nenhuma das duas opções é particularmente alvisareira.
Para piorar, deparei-me na Folha com uma nota sobre um blog de uma atleta norte-americana do Pan falando do Rio. Trata-se de um texto de uma norte-americana bobinha, que viu o Rio pela Linha Vermelha desde o aeroporto e faz generalizações muito erradas. O problema é que eu estou para achar uma única pessoa que não faça a mesma coisa no exterior. Você está uns dias em uma cidade estranha e já escreve teses sociológicas sobre tudo e todos.
O post mereceria uma resposta ponderada. Mas vocês sabem que ponderação no Brasil sempre foi artigo em falta. A quantidade de patriotadas, insultos gratuitos e histeria analfabeta que povoou a caixa de comentários da atleta é de dar vontade de chorar. Mais do que o acidente da TAM, mais do que os escândalos de corrupção, mais do que qualquer coisa, é aquela caixa de comentários que me faz descrer do Brasil. Essas pessoas têm acesso a internet, lêem jornal e deveriam ser o exemplo do melhor que produzimos. A patriotada e a histeria eram esperadas e provavelmente ocorreriam em qualquer lugar do mundo. Mas a desarticulação, ignorância e falta de respeito elementar é entristecedora e projeta uma sombra sobre qualquer esperança de futuro no país que qualquer um de nós ainda possa, leviana ou teimosamente, manter.