I AM EVIL - UOL Blog
Lendo: Three Soldiers, de John dos Passos
Acabei: Collapse, de Jared Diamond
Never Grow Old - David Bowie

Estou deprimido. Fui dormir quase quatro da manhã ontem, por conta de um evento de trabalho, e, apesar de ter chegado quase duas horas atrasado, estou um caco e meu cérebro parece um fusca velho movido à álcool em uma manhã de inverno: não pega nem batendo.

Estou ficando velho. Eu costumava fazer essas coisas constante e impunemente nem faz tanto tempo assim...

Vazio

      Sempre me pergunto sobre as pessoas que jamais se questionam, que não olham para o horizonte imaginando se existe algo além do arco-íris. Como é possível viver sem pensar no que é viver, como é possível amar sem duvidar do amor? Pois a vida é frágil e o Universo é infinito: somos muito pequenos para tanto vácuo, como entender o conforto e a satisfação?

      O concreto e o trabalho nos chamam, e é justo e próprio atendê-los. Mas não podemos esquecer jamais do vácuo em nosso interior. Dele nascem todas os sóis e buracos negros de nossa existência. Sem ele, somos meros autômatos sem horizonte.

Detonation Boulevard - Sisters of Mercy

            Nada como terminar as férias em um feriado, descansando os músculos cansados de tanto esquiar e dirigir. Tudo bem que eu não resisti e fui ler meus e-mails. Gente querendo me chamar para Brasília por dois meses (até que seria bom por motivos que não cabe falar por aqui, mas no way que chefia vai topar). E a cabeça, que não pára, já está pensando nas coisas que terão que ser feitas a partir de amanhã.

            Logo que eu cheguei, um atentado na Escócia para me trazer de volta à realidade (como se o smog de Santiago não fosse suficiente). Curiosamente, a cobertura na BBC foi sóbria e apropriada para o tamanho do problema. Na CNN, parecia um novo World Trade Center. Não quero nem pensar o que foi a Fox News. Nessas horas é que dá medo de que nos mandem ano que vem lá para os EE.UU., como eles chamam por aqui. Pois 2008 é ano de mudar de novo, meus filhos. I have cold feet. Mas é só o frio mesmo.

Minhas Férias em Termas de Chillán e Valle Las Trancas

            Apenas na véspera, decidimos que iríamos esquiar em Termas de Chillán. Como a hospedagem nas Termas era cara, eles não aceitavam cachorros e não tínhamos mais tempo para encontrar alguém para ficar com a Frida, optamos por uma cabana no Valle Las Trancas. Tive a minha primeira experiência em dirigir com correntes nos pneus do carro (chatinho de colocar, pior de tirar e o povo da estrada que eu paguei para não ter que fazer tudo isso ainda destruiu meus extensores novinhos). Mas, apesar de ter atolado no caminho das cabanas, o tempo bom me ajudou no resto do tempo.

            Ficamos em um conjunto de cabanas chamado Rukapukem. Coisa simples, com algumas comodidades tipo Directv (que não funcionava direito). A cabana era bem pequena, com um chuveiro que sofria de transtorno bipolar: ou ficava quente de queimar a pele ou frio de quebrar os ossos. Mas conseguimos um preço ótimo, ficava perto da estação de esqui, então nem reclamo. De resto, a Frida estava se achando um husky siberiano correndo pela neve com o cachorrinho que vive lá.

            Depois foram cinco dias de esquiar todo dia, o dia todo. Pois finalmente, graças a um professor decente, aprendi a esquiar! E as Termas de Chillán são preciosas. Bonitas, organizadas, com muitas pistas diferentes. Dá de mil a zero nas estações perto de Santiago: pena que fica tão longe. Eles só mandam mal na classificação das pistas. Normalmente as pistas são classificadas por cores: verde, azul, vermelho e preto, correspondendo à pistas para esquiadores iniciantes, de nível intermediário, avançado e experts. Em Chillán, eles usam as mesmas cores, mas chamam de, respectivamente, muito fácil, fácil, intermediário e difícil. O problema é que você começa a fazer as pistas muito fáceis e, instigado pela mulher entusiasmada, acha que encara uma pista fácil. Ora bolas, é fácil ou não é? E aí, você chega lá em cima e descobre que ainda não tem cacife para encarar a quebrada. Que é inclinadíssima, com partes que você não vê para onde está indo. E o resultado é que você tem que pagar mico descendo de caminha como se tivesse quebrado um braço ou coisa assim. Vergonha. Mas dois dias depois demos o troco e, mais experimentados, conseguimos descer com poucas quedas e quase total controle dos esquis.

Outro inconveniente das Termas de Chillán é a quantidade absurda de brasileiros. Conterrâneos no exterior parecem fazer um esforço extra para te fazer sentir vergonha do seu país: mal-educados, ruidosos e muitos não fazem um esforço mínimo de falar a língua. Comportam-se como norte-americanos, o povo que se vire em entender: vi um cara pedir “dois copinhos” num bar. Nadie lo merece.

            Mas as férias foram ótimas, o tempo esteve perfeito e deu tudo certo. Certamente para compensar todos os problemas e cancelamentos que quase nos fizeram ficar em casa. Ah, coloquei fotos no Flickr para vocês se divertirem. Terça eu volto ao trabalho.

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