Minhas Férias em Termas de Chillán e Valle Las Trancas
Apenas na véspera, decidimos que iríamos esquiar em Termas de Chillán. Como a hospedagem nas Termas era cara, eles não aceitavam cachorros e não tínhamos mais tempo para encontrar alguém para ficar com a Frida, optamos por uma cabana no Valle Las Trancas. Tive a minha primeira experiência em dirigir com correntes nos pneus do carro (chatinho de colocar, pior de tirar e o povo da estrada que eu paguei para não ter que fazer tudo isso ainda destruiu meus extensores novinhos). Mas, apesar de ter atolado no caminho das cabanas, o tempo bom me ajudou no resto do tempo.
Ficamos em um conjunto de cabanas chamado Rukapukem. Coisa simples, com algumas comodidades tipo Directv (que não funcionava direito). A cabana era bem pequena, com um chuveiro que sofria de transtorno bipolar: ou ficava quente de queimar a pele ou frio de quebrar os ossos. Mas conseguimos um preço ótimo, ficava perto da estação de esqui, então nem reclamo. De resto, a Frida estava se achando um husky siberiano correndo pela neve com o cachorrinho que vive lá.
Depois foram cinco dias de esquiar todo dia, o dia todo. Pois finalmente, graças a um professor decente, aprendi a esquiar! E as Termas de Chillán são preciosas. Bonitas, organizadas, com muitas pistas diferentes. Dá de mil a zero nas estações perto de Santiago: pena que fica tão longe. Eles só mandam mal na classificação das pistas. Normalmente as pistas são classificadas por cores: verde, azul, vermelho e preto, correspondendo à pistas para esquiadores iniciantes, de nível intermediário, avançado e experts. Em Chillán, eles usam as mesmas cores, mas chamam de, respectivamente, muito fácil, fácil, intermediário e difícil. O problema é que você começa a fazer as pistas muito fáceis e, instigado pela mulher entusiasmada, acha que encara uma pista fácil. Ora bolas, é fácil ou não é? E aí, você chega lá em cima e descobre que ainda não tem cacife para encarar a quebrada. Que é inclinadíssima, com partes que você não vê para onde está indo. E o resultado é que você tem que pagar mico descendo de caminha como se tivesse quebrado um braço ou coisa assim. Vergonha. Mas dois dias depois demos o troco e, mais experimentados, conseguimos descer com poucas quedas e quase total controle dos esquis.
Outro inconveniente das Termas de Chillán é a quantidade absurda de brasileiros. Conterrâneos no exterior parecem fazer um esforço extra para te fazer sentir vergonha do seu país: mal-educados, ruidosos e muitos não fazem um esforço mínimo de falar a língua. Comportam-se como norte-americanos, o povo que se vire em entender: vi um cara pedir “dois copinhos” num bar. Nadie lo merece.
Mas as férias foram ótimas, o tempo esteve perfeito e deu tudo certo. Certamente para compensar todos os problemas e cancelamentos que quase nos fizeram ficar em casa. Ah, coloquei fotos no Flickr para vocês se divertirem. Terça eu volto ao trabalho.