The Queen Is Dead – The Smiths
Gosto muito da Sofia Coppola, mas eu sou jacobino demais para assistir um filme que tem pena da Maria Antonieta. Realeza boa é realeza morta, de preferência na guilhotina.
| Lendo: | Three Soldiers, de John dos Passos |
| Acabei: | Collapse, de Jared Diamond |
Meu super querido irmão está comemorando o emprego novo de 2006 dando presentes ótimos. Cheguei de viagem e na recepção estava o meu regalo. Ganhei uma edição de luxo, três livros de capa dura com TODAS as tiras do Calvin ever published. Acabamento primoroso e conteúdo impecável. Merece um agradecimento público. Valeu!
The Queen Is Dead – The Smiths
Gosto muito da Sofia Coppola, mas eu sou jacobino demais para assistir um filme que tem pena da Maria Antonieta. Realeza boa é realeza morta, de preferência na guilhotina.
Música da Semana da Rádio I Am Evil
E então passei o reveillon no interior de Minas. Eu fico feliz quando qualquer passagem de ano não envolve uma intoxicação alimentar, plasil na veia e a possibilidade de internação hospitalar numa cidadezinha venezuelana. Perto disso, qualquer furada parece boa.
Foi o que eu disse para mim mesmo quando vi a fila para entrar no clube, para o qual eu já tinha pago setenta reais pelo privilégio de participar da festa. Ninguém conseguiu me explicar porque era tão difícil verificar um ingresso e passar por um detector de metais, mas lembrei de Puerto
Não conseguimos brindar com espumante, porque não tinha mais. É a primeira vez que eu vejo acabar espumante em reveillon, mas lembrei daquele que eu não pude beber na Venezuela devido ao estado deplorável do meu sistema digestivo e relevei mais uma vez.
Um dos efeitos para a virada incluía um faixa “feliz
Difícil de relevar mesmo foi a banda. A banda era, com o perdão do péssimo trocadilho, um espetáculo. Eu já esperava por contatos imediatos com os quatro cavaleiros do apocalipse musical (funk, axé, sertanejo e forró), então não ter rolado nenhum sertanejo já foi lucro. O que eu não precisava ouvir era um vocalista que falava pelos cotovelos, agradecia ao presidente do clube cada dez minutos pela oportunidade (ouvindo a banda, eles tinham mais que estar agradecidos, mesmo.) e desafinavam horrores. Mas o pior foi quando eles anunciaram, para os meus céticos ouvidos, que iriam tocar “rock and roll”. E mandaram ver The Fevers.
(Permitirei aos meus amados leitores um momento para se recompor de semelhante barbaridade com o rock).
Depois de tocar outras velharias anos 60, anunciaram que faria uma “viagem no tempo”. Imaginei que fossem começar a tocar música barroca: mais para trás que Little Richard, seria Glenn Miller? (pelo menos, nos livraríamos do vocalista). E mandaram ver nos hits manjados da era disco. Não sabiam contar e não tinham a menor noção da cronologia básica da música pop. E ainda teve direito a vocalista de cueca cantando “Macho Man”. O horror, o horror, o horror.
Ainda assim, foi bom fazer a virada no Brasil e perto de gente querida. Além disso, sempre se pode rir da desgraça alheia (e da própria).
De novo, um ano novo supimpa para todos nós.
Cálculos
Em 2007, completarei a idade que meu pai tinha quando eu nasci.
Não sei o que ele pensaria da minha vida, não sei o que teria sido a nossa vida se ele não houvesse partido quase 23 anos atrás.
(Mesmo porque não há muito o que pensar da nossa vida. Vive-se apenas, ainda que seja muito mais do que podemos.)
Em 2007, completarei a idade que meu pai tinha quando eu nasci.
Acredito em poucas coisas e resisto à crença cômoda de que ele possa estar me velando de algum lugar. As almas, se permanecem, certamente terão outros afazeres mais nobres que passar a morte cuidando dos vivos.
Só o que eu sei é que, em 2007, completarei a idade que meu pai tinha quando eu nasci.
Embora em meu coração ainda viva uma criança assustada, acordada na escuridão da noite, chorando e pedindo pelo pai.
Mesmo que o pai possa não estar mais aqui.
E o futuro parece grande demais. E tudo que guardei dessa juventude que se esvai não é suficinete para me transformar em um adutlo amanhã.
Um novo ano, e o Universo continua à deriva. Talvez seja essa a única verdade: no coração de toda certeza, ainda vive uma criança assustada, acordada na escuridão da noite, chorando e pedindo pelo pai.
Mesmo que o pai possa não estar mais ali.
Evil, but in a nice way.
My Personal Evil Priest responderá suas angústias e dúvidas nesse endereço: iamevil.blog, que fica lá no gmail. Don't be evil? Ha!
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