Carta Aberta Para a Monsanto
Prezados Diretores da Monsanto,
Sempre fui um grande admirador da sua companhia e do trabalho científico realizado pelos senhores. Em mais de uma ocasião, pude exercitar meus dons de sarcasmo e pilhéria contra os naturebas-orgânicos-vegetarianos-meu-cérebro-não-funciona-mais-por-falta-de-carne. Em outras ocasiões, fui obrigado a adotar métodos físicos mais restritivos contra a região das gônadas do indivíduo. Em minha defesa, devo observar que estava atuando de forma puramente altruísta, buscando auxiliar a depuração da espécie humana, e evitar a propagação de genes particularmente nocivos à sobrevivência da civilização ocidental. But I digress.
Tendo em vista meu contínuo apoio ao trabalho dessa companhia, tomo a liberdade de enviar esta carta para solicitar uma pesquisa que, creio, é fundamental para o aprimoramento da espécie humana. É conhecida a similitude entre os lepidópteros e os seres humanos, no sentido em que ambos passam por longo período larval antes de se tornarem indivíduos com os quais se possa interagir. Infelizmente para a humanidade, a evolução nos brindou com um longo período de, em média, dezoito anos de absoluto torpor mental e inaptidão física, nos quais não apenas somos miseráveis, mas tornamos a vida de todos ao nosso redor igualmente indigna. Se semelhante situação era irremediável no passado, o avanço da ciência nos permite, agora, fazer algo a respeito.
Nesse sentido, rogo aos senhores aplicar os seus melhores recursos, humanos e financeiros, para desenvolver a mais importante mutação da espécie humana desde o desenvolvimento do polegar oponível: o casulo infanto-juvenil. Em tal casulo, que seria gerado pelo indivíduo logo após sua saída do ventre materno, o ser humano em estágio larval permaneceria por todo o seu período de desenvolvimento mental e físico, emergindo na idade adulta livre de todos os inconvenientes da infância e adolescência.
A civilização ocidental teria muito a lucrar com esse novo ser humano. Se semelhante desenvolvimento já existisse, males que assolam a humanidade, como Barney, boy bands, Britney Spears e Rebelde dificilmente teriam o potencial destrutivo atual. Os ganhos não se restringem à música pop (basta refletir sobre todos os males urbanos provocados pela mera presença de adolescentes e crianças), embora apenas nesse campo já se justificariam os gastos com a pesquisa e desenvolvimento de minha idéia.
Na esperança de contar com a colaboração dessa companhia em momento pivotal para o futuro da humanidade,
I Am Evil